Tudo parece tão mais desejado nos desenhos animados ou nos romances que os outros me contam.
Naquilo que me contam o tempo parece não ter fim, parece não haver horários a cumprir, exames para os quais estudar, grupos que ensaiam ou reuniões nas quais temos de estar presentes.
Nas histórias que me contam a distância era maior, talvez a lágrima mais constante, mas o que eram eles se não a plenitude da confiança e do amor?
Nas histórias deles não havia telemóvel, tudo era mais paciente, mais directo e mais trapalhão, por vezes, mas, havia tempo!
Havia tempo para si, para o outro e para eles.
Havia tempo para se conhecerem devagar e junto à praia.
Havia tempo para mais um sorriso ou mais um post-scriptum numa carta.
Se havia tempo? Não esse era escasso, mas o que é o tempo se não um bocadinho de barro que cada um molda, ajuda e é ajudado a moldar?
Ai o tempo... quem nos dera a nós poder falar do tempo sem que o sentisse-mos escorrer pelos dedos das mãos.
Vivemos na época do imediato: os nossos corações aceleram quando não recebemos logo uma mensagem de resposta, ficamos logo assustados quando nos deparamos com o imprevisível.
Não somos exigentes com o nosso cumprimento de horas, mas, então, o que pedimos dos outros? Que o avião parta exactamente na hora que o bilhete anunciava? Que nos respondam a toda a hora onde estão ou o que fazem?
Que mais poderemos exigir do que aquilo que, também nós, somos capazes?
Não fiquemos pelo contentamento, não exige-mos o impossível ou o utópico.
Exige-mos o sonho!
"Recordemo-nos sempre de que sonhar é procurarmo-nos"
