sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Bem açucarado...

Ontem (dia 26 de Julho) comemorou-se o dia dos avós. Um dia tão especial como o dia da mãe ou o dia do pai, afinal todo aquele que hoje é avô, também um dia foi pai, tal como os meus são, para mim, os meus segundos pais.
Tenho uma relação muito especial com ambos, tudo aquilo que sei sobre a vida de campo, sobre a agricultura, sobre alguns animais, plantas e vegetais, foi porque partilhei muitas conversas com eles.

O meu avô paterno é um HERÓI para mim: lutou pelo nosso país, esteve preso na Índia, mas nunca desistiu de voltar. Apesar das adversidades da vida, que África acabou por lhe trazer, juntamente com a sua família soube erguer-se de novo e construir aquela a que eu hoje chamo de "casa dos avós".
O meu avô materno é para mim um GUERREIRO: lutou e trabalhou para que nada faltasse em casa, para que a minha mãe e os irmãos pudessem estudar e construir aquela que eu hoje chamo de "a minha casa".
A minha avó materna é uma LUTADORA. É aquela avó, que por mais que cresça serei a sua eterna Ritinha, pequenina e que como ela o diz tem "uns marmelinhos bem jeitosinhos". Rio-me sempre que ela conversa comigo e relembro-me bem das mulheres da sua idade, que sujeitas á sociedade da época, foram descobrindo aquilo que é o amor, porque trabalhar? Isso desde pequeninas que elas sabem bem.
A minha avó paterna é para mim uma FORÇA. Sempre soube esperar pelo seu amor, pelo dia em que também ela se viria a tornar mãe.
Uma mulher moderna e atual, que sempre me disse "oh filha, tu estuda. Estuda para ganhares o teu dinheirinho e para seres independente". Gostamos muito de conversar com todas as mulheres lá de casa, que em número são bem mais que os homens. Constituímos o gang das super mulheres, que pelos diferentes feitios e personalidades, ora debatemos, ora contamos cusquices umas às outras.
O dia dos avós é apenas mais um dia do calendário, uma desculpa para um telefonema ou um beijinho. Porém, neste dia lembra-mo-nos sempre deles e embora eu saiba, que um dia, também eles serão estrelinhas lá do céu que estarão a olhar por nós, quero poder aprender com eles e conversar com eles tudo aquilo que a vida lhes ensinou.
Afinal, os avós, são quem mais açúcar nos dá para a vida.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

E Cleofas, teve t-shirt?

Passamos a vida neste correr corre. Vamos à escola, voltamos a casa, saímos para tomar café, voltamos ao trabalho e quando finalmente chegamos a casa mais trabalho nos espera. 
Esquece-mo-nos das pequenas coisas, de as observar, de as pensar ou simplesmente de as olhar. 

Também ele não reparou, apenas o via como um viajante que se juntou a ele no seu percurso. Falou-lhe das suas tristezas, do caminho que fazia e com quem o fazia. Apenas quando ele repartiu o pão, o soube reconhecer e ver com quem fez ele todo aquele caminho. 


Hoje fizeste um pequeno grande percurso e provavelmente tens umas dores desconfortáveis em alguns membros. Mas, então e como esteve o tempo hoje ? Qual era a cor da camisola da pessoa que esteve ao teu lado? Partilhaste o teu sorriso com um desconhecido? Pois bem, passamos os dias neste corre corre que simplesmente nos esquecemos de quem está todos os dias ao nosso lado, quem partilha connosco o seu pão no fim de uma longa caminhada. 

Hoje em dia somos assim, muitas vezes precisamos que alguém nos toque para que olhemos o mundo com olhos de ver. E se é verdade que nem todos vivemos a fé da mesma maneira, não significa que lá no fundo não estejamos todos unidos. Afinal há caminhos que escolhemos e caminhos que nos escolhem. 

(Encontro Regional de Caminheiros e Companheiros 2014 - Momento da actividade de clã)

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Ondas do mar

Os meus pensamentos são como as ondas do mar, vão e vêm. Às vezes deixam rastos de sal, sal esse que espalhado pelo areal deixa marcas de uma passagem.

Em criança muitas vezes tentei caminhar no areal sem deixar uma pegada, ou aproveitar as pegadas já deixadas para caminhar por cima. Com grande frustração nunca consegui!  Na minha pequena mente científica, por estar sujeita a uma força que não me permite andar sem deixar marca. Contudo, na minha grande mente poética diria que todos temos uma pegada a deixar, seja no areal da praia, seja num campo de relva, ou simplesmente na estrada em que os carros passam provenientes da vida agitada que levam.
Quando estou perto do mar gosto de ver e ouvir o rebentar das ondas, de ver até onde a luz do farol alcança ou quantas estrelas posso contar pelo anoitecer. Pelo menos junto ao mar, não há ruído, apenas as vozes das sereias que nos cantam canções de embalar, e nos contam histórias de aventuras sobre cavalos-marinhos e estrelas-do-mar.

Pensava que era em terra que um homem se encontrava, se sentia realizado e pronto a encarar cada desafio. Mas então porque tão grande parte do nosso planeta é constituída por água, se esta não existe para fazer do homem um ser melhor? Não consigo ainda compreender bem aquilo que o mar tem para me dar, nem mesmo aquilo que ele me quer dizer. Quando era mais nova, nos dias de verão passados no Algarve, em família, gostava de ficar até ao por do sol junto ao mar, cantava para ele e falava-lhe sobre mim. Se ele me respondia ou não, não tenho bem a certeza, mas das minhas pequenas dúvidas de criança saí com decisões tomadas e prontas a serem realizadas.

Hoje em dia perdi grande parte do contacto que tinha com o mar, deixei de falar com ele, passei a ser como via as mães: passar o dia estendido na toalha embalada nas palavras dos grandes heróis da literatura. Tenho tanto que gostava de te contar. Gostava de te mostrar o quanto cresci, mas como lá no fundo continuo a ser a criança que brincava com os baldes e com as conchas até que os pais a chamassem para que também eles pudessem descansar.

Então e tu mar? O que tens para me contar?

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Contos de fadas

Se hoje em dia existissem contos de fadas tu e eu seriamos as personagens principais.
Talvez não fosses um belo príncipe e eu uma linda princesa, simplesmente seriamos tu e eu, sem vestidos ou espadas que impedissem de nos conhecermos verdadeiramente. 

Se os contos de fadas existissem tudo seria como nos filmes em que por acaso eles se encontram num campo de flores, ou ele a salvaria das garras de um temível dragão. Hoje em dia tudo são encontros marcados, previstos e agendados, sem que demos oportunidade ao imprevisto e à espontaneidade. 

Se os contos de fada existissem ele declarava-se a ela ao som de uma serenara, ou de uma carta de amor. 
Nos dias de hoje talvez ela o fizesse, ou simplesmente nada acontecesse. Talvez trocassem mensagens por telemóvel e alguns gostos nas redes sociais. 

Se os contos de fada existissem o modo como se procura o príncipe encantado não era mais do que através de um sorriso. Hoje em dia passamos dias, horas a ligar os dados móveis para ver se algum de nós está ligado.

Se existissem contos de fadas, tudo isto não passariam de palavras numa folha de papel, mas sim de uma história de amor sendo relatada. 
Apesar de tudo, ainda hoje acredito em conto de fadas afinal, "tenho em mim todos os sonhos do mundo".