segunda-feira, 16 de junho de 2014

Na minha gaveta...

Queria escrever-te uma carta, mas não sei bem como iria começar.
Talvez com um pequeno Olá, Sou eu a tua amiga. Bem, melhor seria começar com uma simples frase que eu sei que te enchia o olhar: Sabes (também) eu passo a vida a escuteirar
Quando te quero escrever tudo o que faço me parece ridículo, demasiado frio ou demasiado pessoal para ser partilhado através de um papel. Por isso, não te escrevo e deixo que o vento leve os meus pensamentos. 

Queria escrever-te uma carta, mas não sei bem com que tema. 
Talvez te perguntasse qual a tua música preferida, a cor que mais gotas ou o porquê de seres escuteiro?
Porém, quando te começo a escrever todas as perguntas me parecem estranhas e demasiado óbvias para serem feitas. Por isso, não te escrevo e deixo que as palavras as leve o vento.

Queria escrever-te uma carta, mas não sabia como a terminar.
Talvez um Adeus, um Até já ou uma Forte Canhota. Porém, tudo me iria parecer uma despedida prolongada e nada me deixaria ficar por aqui a sonhar. 

Queria escrever-te uma carta, mas não saberia para onde enviar.
Por isso, ponho-me a pensar e na minha gaveta as deixo ficar. 


(Fruto do pensamento e não do sentimento)
A. Rita Flores 

terça-feira, 3 de junho de 2014

A Nostalgia

Está a terminar! Está a chegar ao fim mais uma etapa da nossa vida como estudantes.
O secundário termina, uns amigos ficam, outros vão connosco para a vida, mas nós somos quem "decide" quem fica. Não sabemos o que nos espera, ânsia, lágrimas, nostalgia e estudo é tudo o que sentimos por agora. 

Aqueles que já passaram por aqui, dizem que o melhor nos espera, mas então e os intervalos ? Os amigos desde a primária? O Bar da escola ? A rádio da escola ? Os mais novos, que também fazer parte do nosso quotidiano ? Os momentos para decidir as mesas do baile? Ou os risos que demos na cantina da escola? 
Ninguém vai embora, nós sabemos, mas agora que estamos a terminar é que entendemos o verdadeiro sabor das coisas. Quando finalmente nos apercebemos, é quando está a chegar ao fim. 

Por um lado, só queremos ir, a universidade espera por nós. Finalmente estudamos o que queremos, as melhores festas e os melhores momentos estão para vir.
Por outro lado, queremos ficar. O secundário é tão confortável, a rotina sabe bem... Sabemos com quem estamos, o que esperamos e com quem iremos estar amanhã. 

Quando entro na escola, recordo-me sempre da primeira vez que o fiz. Estava com a Mariana e com a Margarida, foi um momento de magia, quisemos entrar todas com o pé direito. Se ajudou ? Talvez, mas começamos logo bem a chegar atrasadas à apresentação. 
A minha directora de turma parecia ser muito simpática, mas a escola parecia tão grande e quem por lá andava tão velho. De um dia para o outro deixamos de ser as meninas no básico e passamos a ter a responsabilidade das notas. Não a tivemos sempre ? Desde miúda que estudo, cada vez mais é certo, mas organização e método sempre o quis construir. 

Perguntam-me muitas vezes porque foi para ciências se quero letras e muitas vezes responderia que não sabia bem. Porém, agora sei bem! Ainda bem que fui , alarguei horizontes, fiz grandes amizades e aprendi mais do que esperava. Cresci com os problemas de matemática, com a estequiometria a química e com os movimentos a física, cresci com as células a biologia e com as rochas magmáticas a geologia. Se voltava atrás? Talvez em alguns momentos sim, mas nesta escolha não!! 
Todos temos o nosso mérito, todas as áreas têm o seu valor e o seu trabalho. 

Muito nos espera agora, mas o futuro é um rascunho, é um esboço, o que escolhemos hoje não tem de definir para sempre aquilo que faremos amanhã. 
A única certeza que tenho é a da felicidade e da amizade que quero manter. 
Que seja o início de uma enorme fase: de trabalho, de amor, de amizade, de felicidade... de vida. 
Aproveitem os últimos dias, a escola será eternamente nossa, o dona será sempre nosso!!

domingo, 1 de junho de 2014

Arco Íris pintado por nós

Hoje é um dia muito especial, o dia da CRIANÇA!!
Para muitos, talvez seja um dos poucos dias em que "recebem" algo: uma ida ao zoo, um gelado, um abraço mais especial, ou uma história antes de adormecer.
Como uma eterna criança diria que os gestos mais pequenos e mais simples são sempre aqueles que recordamos para sempre.  

Se me questionarem qual foi a prenda que mais gostei de receber enquanto criança, responderia que não me lembro. Recebi tantas coisas: barbie's, nenucos, puzzels, roupas, mais barbie's; definitivamente eram as barbie's aquilo que mais gostava, apesar de nunca ter recebido a Barbie Escuteira. 
Muitas vezes chorava por não ter aquilo que queria, naquele momento, mas agora, mais matura e um pouco menos criança, sei que sempre tive tudo. Comida no prato nunca me faltou, beijinhos de boas noite também não, muito menos me faltou uma família presente.  

Uma criança não se mede pela idade, porque se fosse assim nunca deixávamos de ser crianças. Quando assim somos não temos medo de nos sujar; de usar as mãos para pintar um quadro; de jogar futebol e de ficar todas despenteadas; de dizer que todos os meninos são feios, mas de receberes no intervalo um papel com três quadradinhos para o sim, o não ou  talvez ...

Há muitas histórias de crianças: umas que lêem sobre super heróis e outras em que elas são os verdadeiros heróis. Crescer faz parte, mas não precisamos de deixar de lado o espírito de aventura, de medo, de criatividade, de sonho, de persistência... de criança. 
Como disse Pablo Picasso "Toda criança é artista. O problema é como permanecer artista depois de crescer". 
Se me perguntarem o que quero ser quando for grande respondo "Feliz!", mas se me perguntarem aquilo que quero ser, mesmo quando crescer, respondo "Criança!". 

terça-feira, 27 de maio de 2014

"Talvez Voando!"

"Se Deus é maneta e fez o universo, este homem sem mão pode atar a vela e o arame que hão-de voar"

Foi com esta frase que hoje terminei a minha aula de Português e por mais estranho que vos possa parecer, pelo caminho até casa questionei-me sobre o seu verdadeiro significado. 
De acordo com a interpretação da obra "Memorial do Convento" de José Saramago, obra da qual retirei esta frase, servia como o aceitar do desafio, do Padre Bartolomeu a Baltasar, de o ajudar na construção da Passarola. 

Contudo, afinal porque é que a limitação física de Bartolomeu o havia de impedir de ajudar?
Todos nós temos limitações, umas maiores, outras mais pequenas. Porém, certamente vivemos para as conseguirmos ultrapassar e é por isso mesmo que somos desafiados a cada dia.
Será esse o grande sentido da vida ? 

De certo modo, a vida seria bem mais fácil e com menos alguma tristeza, se não houvesse pedras pelo caminhos, mas então que felicidade obterias? Não é do desafio constante, que a vida te dá, que prossegues a busca pela felicidade

Neste caso, a construção da passarola, uma máquina de voar graças às vontades de todos e de cada um, representa o desafio de Baltasar. E se ele não tinha uma mão, haveria de saber como lutar sem ela. 
Neste tempo em que (finalmente ou não) recebemos o mail com a senha para a candidatura à faculdade, pensamos naquilo que verdadeiramente
queremos. Não penses no que a tua família quer, ou naquilo para onde os teus amigos vão. Posso falar já com alguma experiência, que os verdadeiros amigos ficam, e muitos outros virão. 
Ir estudar para fora seria um sonho, sonho esse que por agora fica num frasquinho. Não tenciono não o abrir, apenas o guardo só para mim por mais uns tempos.
Fico na minha cidade, cidade das tradições e da saudade, daquilo que foi, daquilo que é, e daquilo que será. Irei aceitar os desafios, talvez como dirão alguns no "conforto da casa dos meus pais", mas o desafio não é só aquilo que encontras pelo caminho, mas também aquilo que procuras.

"José Pequeno esfregou o queixo, áspero da barba, e perguntou, Como é que um boieiro se faz Homem,e Manuel Milho respondeu, Não sei. Sete-Sóis atirou o calhau para a fogueira e disse, Talvez Voando."

A. Rita Flores